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De repente já nos trinta

De repente já nos trinta

You | Netflix

04.06.19, Girl About Town

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 Normalmente não sou pessoa de ir em modas, ou seja, quando muito se fala sobre uma serie, ou livro, eu prefiro sempre deixar passar um tempo para só depois ir ver, isto para tentar não ser muito influenciada por as opiniões que se vão lendo no momento.

Ora com  "You" não aconteceu bem isso, fiquei tão curiosa que despachei a serie em dois dias.

Li imensas opiniões, pessoas revoltadíssimas com a serie e com o facto de muita gente gostar do personagem Joe Goldberg, da romantização da serie e por aí adiante.

Eu confesso que fiquei viciadíssima na serie desde o primeiro episódio e vou explicar já porque. 

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Para mim a serie está muitíssimo bem construída, a escolha dos atores para dar vida aos personagens para mim foi acertadíssima.

Penn Badgley no papel de Joe Goldberg dá-nos assim uma lição de representação.

Depois de ver Gossip Girl milhares de vezes nunca imaginei que ele fosse capaz de fazer tão bem o papel de um psicopata.

Sim, porque ele é um psicopata e sobre isso não há a menor duvida.

Só que o mundo não é preto e branco, temos também as áreas cinzentas e aqui para mim os autores da serie também souberam fazer isso muito bem, criaram um personagem que é capaz de matar, e matar de maneira bem violenta, é capaz de planear, e calcular todos os passos necessários para que as coisas saiam como ele quer, mas ao mesmo tempo também criaram um personagem capaz de demonstrar afeto e preocupação com os outros.

Por isso eu meio que percebo a romantização que algumas pessoas fizeram da serie, eu própria fiquei chocada com as atitudes do personagem, mas ao mesmo tempo ia torcendo para que ele meio que "melhorasse", mesmo sabendo que isso já não seria possivel.

Para mim isto foi meio que propositado, parece-me que os autores queriam provocar este tipo de sensação nas pessoas que estavam a ver a serie.

 

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O mesmo acontece com a Beck, que é uma personagem que nos provoca a mesma sensação de dualidade.
Por um lado, acho-o uma parvalhona, não sei, irritou-me um bocado a personalidade dela. Por outro conseguimos perceber que ela vive em conflito e que o facto de ter crecido sem uma figura paternal refletiu-se imenso na sua personalidade.

maxresdefault (1).jpgTambém Peach Salinger representada tão bem pela Shay Mitchel que nos prova que realmente sabe representar, pois eu pelo menos só a estava a ver no papel de boazinha.
É uma personagem que nos consegue irritar do início ao fim da serie, mas que também me provocou imensa pena.
É fácil perceber que aquela acidez toda vem do facto de ser uma pessoa muito sozinha, aquela tal questão de que tem tudo, mas na realidade não tem o que mais importa e isto realmente acaba por azedar as pessoas.

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Todas as personagens nesta serie tem falhas, todas tem um lado mau, uns muito piores que outros, mas todos conseguem provocar em nos mixed-feelings.
Gostei também imenso do facto da serie ser narrada pelo Joe, dá-nos uma perspetiva diferente, conseguimos meio que entrar dentro da cabeça dele.
O final da série surpreendeu-me imenso, por um lado, já estava a contar com a forma como as coisas iriam acabar para eles, mas teve ali aquele elemento surpresa no fim que me deixou bem surpreendida.
Confesso que estou super curiosa para a segunda temporada.
Para mim a primeira temporada foi tão boa que nem sei se conseguem fazer uma segunda, pelo menos do mesmo nível.
Agora contem-me tudo, são fãs da série ou não?

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